terça-feira, 16 de março de 2010

SER "ESCRITOR"... (breves considerações pessoais)


Esta é uma homenagem a todos aqueles que, seja qual for a sua relação com a escrita, comunguem do mesmo ideal. A escrita é como um raio de Sol, pode ser ténue e morrer à nascença ou mesmo grandioso e aquecer uma multidão. O que importa é que a chama nunca se apague, mesmo que o calor fique guardado só no interior de cada um.
Um escritor é como um Deus criador, numa versão light, limitado ao seu mundo de imaginação.
Cria as personagens, inventa os sentimentos, as emoções, controla o tempo, o espaço, a forma, as causas e até as consequências.
Dir-se-á que, lança os mandamentos para colher as reacções. As reacções do leitor. Veste o fato de grande pequeno deus que, com o dom da sua palavra consegue perverter a possibilidade de escolha, de um pensamento comum.
O escritor agita, perturba, assusta ou entretém. O escritor provoca, elucida, informa ou influencia. O escritor esclarece mas também engana. Manipula.
Umas vezes valoriza, outras, marginaliza. Numas é imparcial e consciencioso, noutras pode ser um pouco tendencioso.
O escritor bebe do que o rodeia e dá a beber o que consumiu. O tamanho da sua fonte implica a qualidade da sua água. A água das palavras, que nunca é pura mas sempre adulterada. Ele coloca o açúcar ou o mel, o sal ou o fel. Torna as palavras doces, amargas, ácidas e por vezes insonsas.
O poder da escrita não passa apenas pelo estilo, pela estética ou pela métrica. O poder surge da alma, do espírito, da vontade ou do desassossego! Corrompe, revela, excita e faz ver quem é cego.
Se a uns diverte, a outros vicia. Se a uns traz sobriedade, a outros inebria. Desde a perfeita exactidão até à mais suspeita utopia.
As palavras do escritor são o código daquilo que conhecemos mas também do que não conhecemos. Do conhecimento da pluralidade ao desconhecimento da individualidade.
Ser escritor é querer deixar uma marca na existência. É descontrolar a necessidade da procura da verdade ou por outro lado, saber controlar uma imaginação desenfreada pela procura do fantasioso, do irreal e do transcendente.
Quando o escritor escreve, algo nasce. Perfeito ou imperfeito é sempre um filho e tal como um pai não o deve rejeitar. Aceita-o, educa-o, escreve-o ou reescreve-o. Também o protege e alimenta com o melhor possível da sua escrita.
Pois seja construtiva ou destrutiva, o que importa é ser criativa!

Aos meus alunos:
Queridos alunos, saber escrever não é uma virtude inalcançável. Está dentro de cada um de vós uma semente escondida. Apenas tereis que saber despertar esse interesse, com umas doses de leitura, uma pitada de escrita, criatividade q.b. e carregar no ingrediente da imaginação. Assim os vossos textos serão “cozinhados deliciosos” aos olhos de quem se delicia com as vossas palavras.
Por tudo e por nada…escrevam. Pensaram em algo? … Escrevam. Sonharam com algo? … Escrevam. Tiveram uma ideia? … Escrevam. Ouviram uma canção?... Escrevam! Querem descrever alguma coisa? … Escrevam! Estão apaixonados? … Escrevam!
Façam uma história, façam um livro, escrevam para um jornal, criem um Blog ou uma página na net, construam um diário, etc.
E mais! Leiam muito e arrisquem mergulhar no papel com um texto bem engraçado. Não custa nada!

Só não esqueçam do lema “ Ler e escrever é fixe a valer!”
Ass. Um não-escritor (prof. Rui Beato)

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